domingo, 9 de agosto de 2015


SÃO MIGUEL DO GUAMÁ - PA        

“Saber ouvir quase que é responder.”
Marivaux, Pierre

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São Miguel,  não é uma cidade muito grande. Antes de lá chegar, passamos em Castanhal, onde eu e o motorista da empresa almoçamos. Por sinal, ele era bem chato, não... enjoado, sei lá! Acho que não gostei das conversas dele. Mas, o escutava com todo o respeito e paciência que Deus me deu. 

Ás vezes, precisamos fazer um esforço grande para escutar, calar nossas vozes internas, dar a atenção, nossos ouvidos, àquele que precisa falar.  É necessário querer escutar o dito, o não dito, prestar atenção às expressões faciais, aos gestos, ao tom de voz, às pausas. É preciso ver e sentir a pessoa que se escuta.  Isto não é tão simples. Escutar a quem amamos, admiramos, quando precisamos da informação, é mais fácil, prazeroso. 

Escutar é uma atitude ativa. É um tempo meu que dou para o outro, é um presente. Muitas vezes, só precisamos que o outro nos escute; sabemos que a pessoa não irá resolver nossos problemas, mas o simples fato de escutar, de dar sua atenção, nos dá força para seguirmos em frente. Renova nossas energias, sentimos que não estamos sozinhos. Escutar é coisa de amigo, companheiro, amor. Escutar é uma atitude solidária, é um carinho.

No mundo atual falta “escutadores”. Até acho que é por isso que as pessoas usam as mídias sociais para contar quase tudo do dia a dia. Alguém vai curtir, comentar. Alguém vai me “escutar”. Aguardamos ansiosos os números de curtidas e ficamos chateados quando uma ou outra pessoa que consideramos não se manifesta, permanece no silêncio absoluto. Será que já não sou mais tão importante para essa pessoa? Não faço falta? Será que está chateada, zangada, por alguma razão? Esta será a nova forma de se sentir “escutado”, querido, importante, amado?  Que coisa! Que droga!

Hoje, chega de falar sobre este assunto. Assunto complexo, precisa de mais tempo.

Voltando à São Miguel.
Pouco conheci desta cidade. Cheguei e fui direto para o local do treinamento.
A turma era pequena e, após poucos minutos, deu para perceber que não tinham o perfil para aquele treinamento, que era específico para lideranças da comunidade ou pequenos empreendedores. Ás vezes acontecia. E nesse caso o trabalho fica mais difícil. Os participantes não questionam, não contribuem com exemplos e as dinâmicas ficam empobrecidas. Não há como aprofundar o processamento, pois falta experiência de liderança de equipes e até de vida.

Tinha dois jovens como “convidados” (o que normalmente não é permitido). Isso significa que não estavam inscritos formalmente no curso. A pessoa responsável pelo grupo, os convidou. Um deles, conversou muito comigo, durante os intervalos. Contou um pouco de sua vida: filho adotivo, entrou no mundo das drogas, álcool. Deu o retrato de sua mãe para mim, para que eu lembrasse dele. Meu Deus, como eram carentes de atenção, afeto, de alguém que pudesse ajudar, escutar, orientar. O outro, também estava largando a bebida. Eram tão jovens! Fiquei comovida. Achei muito triste tudo que me contaram.
Mais tarde, a pessoa que os convidou, me disse que tinha esperança de o curso ajudá-los de alguma forma. Será? Tomara!

É assim: conhecemos pessoas, que às vezes nos contam seus sonhos, alguns segredos, dores profundas, e nunca mais sabemos delas. Talvez por isto mesmo é que contam. E só nos resta o desejo de que tenham uma vida boa, superem os obstáculos, curem suas dores, aprendam com elas, realizem seus sonhos, sejam felizes.

Sempre faço questão de tirar uma foto com todos os participantes ao término dos treinamentos. É uma forma de registrar o rosto de cada uma delas, para não esquecer, para registrar a lembrança de momentos tão agradáveis e enriquecedores.

Voltei com o motorista chato/enjoado para Belém, com uma sensação estranha, reflexiva. Um sentimento que não sabia bem definir. Aqueles dois jovens, aquelas pessoas tão simples, que foram tão carinhosas comigo, seguiram a viagem comigo. Que sejam felizes. Mais uma vez sou grata por tudo que aprendi com cada um deles.



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

TAILÂNDIA / PA – 2001

“Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”.

Lispector, Clarice


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Agora, vou contar um pouco das minhas andanças pelo estado do Pará.
E lá fui eu para o Pará, cheia de expectativas (como sempre). Mais lugares diferentes para conhecer, pessoas, particularidades da cultura, sabores. Tudo seria novidade. Uma das coisas gostosas de trabalhar como consultora, instrutora, facilitadora ou qualquer que seja a denominação daqueles que trabalham com o desenvolvimento de pessoas é não ter que lidar com a rotina. É muito, muito gratificante. É uma emoção!

Cheguei à noite em Belém, portanto só conheci o aeroporto, o trajeto até o hotel e, claro, o hotel. Ás vezes é assim: não há tempo para conhecer nada da cidade. Por isto, quando posso, ou chego antes ou volto um, dois dias depois. É preciso aproveitar as oportunidades, pois nunca temos a certeza de um retorno.

O treinamento, cujo tema era Solução de problemas e tomada de decisões, seria na cidade de Tailândia. Lembro-me, que após o meu retorno, contava para alguns amigos que eu estava muito importante, pois tinha ido ministrar treinamento em Tailândia. Todos se espantavam, ficavam admirados e eu dava boas risadas. Depois contava que Tailândia é uma pequena cidade de Belém. Quem sabe disso? Poucos.

Como dizia, Tailândia é uma cidade bem pequena e mais tarde vim a saber que o extrativismo de madeira lá é uma das principais fontes de renda dos habitantes (que pena). Alguns participantes do curso disseram que sabem que a extração de madeira é ilegal, mas não tinham outra fonte de renda. Como não estava ali para discutir questões tão complexas, não expressava a minha discordância, o quanto lamentava saber que a natureza estava sendo destruída.
O Pará é (ou era?) um dos estados onde a extração de madeira ilegal é grande. Quando sobrevoamos foi possível ver vários focos de queimadas, muita fumaça. É lastimável a devastação de uma natureza tão exuberante, tão bonita.

O módulo em Tailândia foi legal, apesar do calor intenso. Não me lembro de sentir tamanho calor, a não ser quando morei no Congo (África). A sala de treinamento era minúscula. Quando não estava usando o flip chart, tinha que fechar para não ocupar o pouco espaço que tinha. Um ventilador de pé, pequeno, não dava conta do recado. Não amenizava praticamente em nada o calor.

As pessoas eram muito animadas, bem-humoradas, acolhedoras. Tinha a Raimunda – uma figura e tanto – dona de cartório. A filha também estava na turma. Grande pessoa. Tinha a Eliane: uma pessoa meiga, que passa tranquilidade. Não dá para falar de todos, mas algumas pessoas, por uma razão ou outra marcam mais.
Para chegar a Tailândia fizemos duas travessias de balsa. Bonita travessia. Rio muito largo, cheio de ilhas.

Após o curso fomos para uma churrascaria e tomamos cerveja, conversamos, comi peixes deliciosos,  conheci mais um pouco das pessoas. Que delícia!  No outro dia, saímos para Belém às 4h15 da manhã. A empresa contratante disponibiliza motorista para levar seus facilitadores até as cidades. Após, mais ou menos 20 minutos de viagem, me dei conta de que tinha esquecido meu celular no hotel. Barbaridade! Tivemos que retornar. Fiquei chateada, pois vi que o motorista não gostou muito. Eu também não iria gostar. Já tínhamos rodado um bom trecho. Eu sempre esqueço alguma coisa por onde passo, mas o celular não tinha como deixar.

Detalhe: no local onde pegamos a balsa para a travessia, tem várias barracas vendendo tapioca, de variados sabores. Claro que comi uma.

Desta vez conheci um pouco mais de Belém. Faço questão de experimentar os pratos típicos dos locais onde vou. Experimentei o tacacá.
É feito de tucupi, mistura uma goma branca (que parece cola), coloca folha de inhambu e uns 4 camarões. As folhas dão sensação de dormência na boca e na língua.  Servido quente. Confesso que apreciei muito o camarão, mas o resto...
Tacacá lá é como caldo de feijão com torresmo para os mineiros, caldo de sururu para os baianos, pastel de feira para os paulistanos, tem em todo canto.

Depois de descansar, saí pra conhecer o entorno do hotel: visitei uma pequena feira ao ar livre e comprei farinha (tem vários tipos; é diferente), molho de pimenta no tucupi. Depois camarão de água doce, salgado; castanha do pará e paçoca de castanha. Peguei manga, que caiu das mangueiras carregadas, que tem ao longo das ruas, avenidas. É muito pé de manga. Cai aqui, cai ali, em cima dos carros e a gente vai aproveitando, pega uma aqui, outra ali. Por que a vida é isso: momentos livres, simples, saborosos. E tem gente que tem vergonha de fazer isso. Perdem eles.
Conheci o parque da Residência (onde moravam os governadores). Muito bonito, bem cuidado. Conheci o parque Botânico que me encantou. Vi passáros lindos, lindos (garças, periquitos, araras e até dois gaviões enormes). A vegetação originária da Amazônia é fantástica e muito diversificada. Árvores enormes, maravilhosas. Gostei demais. A natureza me encanta.
Belém tem muita coisa bonita para se ver e muita coisa boa para se fazer. Para comer então, nem se fala.  

Belém tem muita coisa bonita para se ver e muita coisa boa para se fazer.  O Pará é um estado muito rico em recursos naturais. É considerado o maior produtor de frutas consideradas exóticas.  Incrível a variedade de cores, cheiros, sabores. Açaí – a mais conhecida -, cupuaçu, bacuri, taperebá, uxi, castanha do pará,  entre  outras.

Curiosidade: uma castanheira leva 40 anos para produzir o fruto, que tem o formato de um ouriço e dentro cabem 18 castanhas, também protegidas por uma casca muito dura. Depois que é aberta, as castanhas não cabem mais dentro da casca.
Não deu para conhecer o mercado Ver-o-Peso, pois estava em reforma. Que pena! Gostaria de conhecer um pouco mais. Valeu.       

Voltei para casa com uma enxaqueca daquelas. Acho que por causa do calor. Mas, sem drama. Foi ótimo. Fiquei em Belém por mais alguns dias, pois tinha mais cidades para ir trabalhar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015


O QUE APRENDI POR CAUSA DESTE QUIBE?






Eu gosto muito de fazer compras, de passear na 25 de março e para mim é sempre uma aventura. Algumas vezes até prefiro ir sozinha, pois fico mais livre para entrar nas lojas que mais me agradam e ficar o tempo que quiser, sem pressa. E foi sem pressa que estive lá, um dia desses.

Sem pressa, fui atrás de um quibe – este da foto. Diferente, não é mesmo? É assado, tem a forma arredondada, servido com salada de alface e tomate cereja. Uma delícia.

E porque ele foi o motivo desta história?

Estava assistindo o programa da chefe Bel Coelho sobre culinária árabe, armênia, no qual ela mostrava restaurantes em SP que preservam receitas tradicionais do país de seus proprietários e um deles fica exatamente na região da 25 de março. Tem mais de 20 anos que frequento esta região e até então não sabia do restaurante que fica no primeiro andar de um prédio comercial. Falo do restaurante Monte Líbano. Claro, na primeira oportunidade iria conhecer o restaurante e provar o quibe. E lá fui eu.

E o que aprendi por causa deste quibe?

Quando desci no primeiro andar do prédio, de imediato, não consegui localizar o restaurante. Vi uma varanda, para lá me dirigi ,e ao ver algumas mesas arrumadas, entendi que eram do restaurante e entrei. De trás do balcão, a chefe, muito simpática, me cumprimentou com um belo sorriso e disse que o restaurante ainda não estava aberto, mas que eu poderia entrar e me acomodar. Indicou-me uma mesa e logo em seguida abriu a porta de entrada do restaurante. Na verdade, eu tinha entrado pelos fundos.
Em seguida ela voltou e disse que o garçom iria me atender e que ficasse à vontade. Ela já tinha me deixado à vontade no momento que me recebeu com tanta gentileza, com um belo sorriso.

A permanência lá foi muito agradável e saborosa. O garçom me atendeu com presteza, deu sugestões, informou o tempo de preparo.

Mas, afinal o que eu aprendi?

Aprendi, mais uma vez, que para encantar o cliente não é preciso fazer mágica, contratar dançarinas, criar mil e um artifícios. É simples. É preciso cuidar dos detalhes. É preciso cuidar do cliente, da pessoa, que gosta de se sentir especial, como se fosse única, independentemente do quanto irá consumir.
Ambiente agradável, limpo, organizado, comida com qualidade, pessoas preparadas para atender, o sorriso sempre presente, cativam o cliente. Ele volta. Ele faz questão de contar, divulgar para quem conhece e para quem não conhece também, através de diferentes canais. Como faço agora. O mesmo acontece quando somos mal atendidos.

Um dos treinamentos que desenvolvo e ministro tem como tema: Como encantar o cliente. Sempre estou muito atenta ao atendimento que recebo em qualquer lugar que frequento: restaurantes, supermercados, farmácias, hotéis, bilheterias, etc., e uso os bons e maus atendimentos como exemplos nos meus cursos. Infelizmente tenho mais exemplos de mal atendimento. Infelizmente.

Mas, voltemos ao Monte Líbano. Na saída, a chefe perguntou se fiquei satisfeita, se gostei do quibe. Sim, fiquei muito satisfeita. Fiquei encantada com o quibe, com o lugar, com as pessoas que me atenderam.

Como ainda tinha compras a fazer, entrei em mais três estabelecimentos: em dois deles, os atendentes, tive a nítida impressão, preferiam que eu nem tivesse entrado, que eu estava incomodando. Um deles, parecia que estava com raiva: de mim, de estar ali, da empresa, da vida. O outro, parecia triste, desinteressado, enfastiado. Eu? Mais um cliente chato. Com certeza, não gostam do que fazem. Ou será que não gostam da forma como são tratados pelo empregador e por isto tratam o cliente da mesma forma? O atendimento ao cliente externo é o reflexo do atendimento que o cliente interno recebe? Nada justifica o mau atendimento. O que tenho certeza: todos nós queremos e merecemos ser bem tratados. Somos nós, os clientes, que pagamos os salários dos empregados e garantimos a sobrevivência de toda e qualquer empresa. Portanto que cuidem muito bem de todos nós, pois não basta compremos apenas uma vez. Temos que querer voltar e comprar sempre.Confiança, lealdade, é uma conquista que se ganha a partir do bom atendimento.

Eu voltarei ao Monte Líbano, quero provar outros pratos, quero repetir a experiência de me sentir especial. E uma das pessoas que convidarei para ir comigo será Malu, uma amiga, que  me sugeriu contar esta história.













terça-feira, 4 de agosto de 2015


CAÇADOR – SC – 2001 – IDEAL/DECISÕES

  

Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criamos.

Einstein, Albert


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O ano era 2001.O tema: Soluções de Problemas e tomada de decisões. Nossa, quanto tempo já se passou. O destino foi Santa Catarina. Lá, nunca tinha ido. E alguns colegas me deixaram um pouco temerosa, dizendo que tomasse cuidado, pois o pessoal de lá era muito bairrista. Embora com um pouco de medo, fui com o coração aberto e me preparei muito, lendo bastante sobre o tema.

Fui para Chapecó em um avião pequeno, barulhento, apertado. De lanche, só amendoim, água e refrigerante. E pensar que agora, algumas companhias só servem água de graça!
Sendo minha primeira vez em Santa Catarina, a expectativa era maior. Como seriam os participantes? Será que gostariam de mim, do meu trabalho? Na verdade, tem que ser excelente. Por mim, pelas pessoas, pela empresa que representava.  Daria dar tudo certo. Tinha que dar. Responsabilidade grande, nível de ansiedade altíssimo.

A viagem foi tranquila e, chegando lá, como sempre, fui direto para o hotel.
O hotel em Chapecó era uma graça. Muito acolhedor. O almoço gostoso e caro. Fui conhecer um pouco da principal avenida, que fica próxima ao hotel. Achei muito legal, cidade limpa, muito verde, ruas largas. Fiz compras. Que chic!

Muito linda a cidade. Prédios todos pintados, conservados, como se fosse recente.
É, mas ficar em hotel é ruim!  Muita solidão.  À tarde sai, para um lanche e uma cerveja gelada. Presenciei um por de sol maravilhoso. Barzinhos abertos, com cadeiras na calçada, me fez lembrar os botecos deliciosos de Belo Horizonte. Pessoas fazendo caminhada, tranquilamente. É, isso é vida, é viver!
De volta ao hotel. Dormir, descansar, para estar bem para o treinamento.

Saí para a cidade de Caçador, aonde seria o treinamento, com 30 minutos de atraso. Já não gostei tanto. Sou neurótica com pontualidade. Detesto atrasos. Gosto de chegar no local com no mínimo uma hora de antecedência, para preparar tudo com calma, checar equipamentos, enfim, cuidar de tudo que é necessário, antes que o primeiro participante chegue.  Levamos 2h40 para chegar. Também me pareceu ser uma cidade agradável. Fui muito bem recebida. A turma muito dinâmica, alegre. Que ótimo. Fiquei tranquila e o entrosamento foi super fácil, espontâneo. Aprendemos e nos divertimos. Piada de mineiro foi o que não faltou nos intervalos para cafés e almoço.
No intervalo do café da tarde, uma participante me “segurou”, pedindo orientações sobre como agir a respeito de uma situação empresarial difícil que estava vivendo.
Fomos as últimas a retornar para a sala e, fui recebida com todos, de pé, cantando a música: “Ó Minas Gerais, quem te conhece, não esquece jamais...” Foi lindo, fiquei muito, muito emocionada. Depois cantaram novamente no encerramento. Gostaram de mim. E eu deles. Muito. Tão gentis, tão acolhedores. Quem era bairrista? Não conheci.

De volta para casa. Imaginem? Fui sorteada pela Rio Sul e ganhei um minigravador; coisa raríssima de acontecer. Sem fita. Não sei para que servirá, mas ganhei. É bom ganhar coisas.

Ah! Curiosidades de Chapecó: aos domingos, as pessoas vão para a Avenida Getúlio Vargas, tomar chimarrão e comer pipocas! Já pensou! Qualidade de vida! Quero voltar!

Outra: você marca consulta no SUS por telefone. Pode? Pode sim! E os banheiros públicos são ótimos, super limpos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Monteiro Lobato – 2ª. etapa (término do curso) – 2012

"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento"
Deepak Chopra


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Cheguei em Monteiro Lobato na 5ª. Feira à noite. Levei um presentinho para Da. Iracema e Marta. Elas são tão fofas!
Na sexta,  quando reencontramos a turma, fui muito bem recebida, com carinho e respeito.

É, tem coisas no programa que eu gosto e outras nem tanto. Algumas dinâmicas, filmes utilizados, se pudesse não usaria. 
Quando terminou o dia fomos lanchar na casa do José Luiz Gonzaga(um dos participantes), quer dizer, na casa da cunhada dele.
Mara e Fernando, Nilce e José Luis, super simpáticos. Conversamos muito, demos boas risadas e comemos um tantão.
Depois encontramos com /Eduardo, Gracias e Soraya. Fomos para Francisco Xavier. Super legal. Cidade transada, reduto de paulistas ricos. Estava acontecendo a inauguração de um Cybercafé, muito bacana. Na sua construção foram utilizados materiais recicláveis tais como: canos, ferros, paredes feitas com folha de zinco cobertas com embalagens de caixas de leite prensada. Ficou um show!
Na volta, paramos na estrada para apreciar o belo céu, a lua, as estrelas. Uma paisagem inesquecível.

No sábado, fomos conhecer o sítio do Sr. Cabral. Sítio muito lindo, bem cuidado, e conhecemos sua filha Lara de 4 anos . É uma criança muito bonita,  alegre, extrovertida.
Comi goiabas, direto do pé e sua esposa nos preparou um café delicioso acompanhado de uma cuca, mais gostosa ainda.

Em seguida, fomos para a casa de Misae, no bairro dos Souza. Também é um sítio. Tem muitas ervas plantadas, jardim com uma fonte, tipo oriental. Misae  é japonesa, faz cerâmicas de argila. Antes era analista de sistemas e resolveu se mudar para Monteiro Lobato. Não é pra quem quer, é para quem pode. 

Bem, o grupo já tinha um vínculo comigo. Me trataram com carinho, pediam opiniões nos intervalos. E eu custava a me conter, para não falar mais, pois o grupo não é meu e quem tem que brilhar (e brilhou) é Marta. E olha, que ficar calada, para mim, é um verdadeiro exercício.

Domingo, último dia, chuva, almoço beneficente para ajudar o asilo, muitos abraços beijos e saudades e de volta para SP, para o aconchego da família. Valeu!

Gostei tanto de Monteiro Lobato, da Pousada de Da. Iracema, que algum tempo depois eu e Valério, com o objetivo de conhecer Campos do Jordão, nos hospedamos lá e, Da. Iracema, como sempre, nos recebeu com todo o carinho.


sábado, 1 de agosto de 2015





MONTEIRO LOBATO/SP - 2012 http://monteirolobato.sp.gov.br/site/

"Reconhecemos um homem inteligente por suas respostas e um sábio por suas perguntas."

Naguib Mahfouz - escritor egípcio




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Monteiro Lobato é uma cidade pequena e agradável e lembra Cordisburgo, pelo tamanho, pelo aconchego, pela simplicidade das pessoas. Acreditava que tinha esse nome porque lá tinha nascido o escritor Monteiro Lobato. E esse fato já me deixou mais animada, pois li a coleção do Sítio do Pica-pau amarelo; coleção que comprei ainda bem jovem, no clube do livro. Será que ainda existe esse clube? Guardei com carinho, com muito zelo, para ler, quem sabe, para futuros filhos. Os filhos chegaram, não li, e nem eles. Era mais fácil conhecer a história pela TV. Que pena. Doei, não me lembro mais para quem.

A verdade é que “o nome é uma homenagem ao eminente escritor José Bento Monteiro Lobato que na fazenda do Buquira iniciou sua brilhante carreira literária escrevendo os admiráveis contos de Urupês. Mais tarde a fazenda do Buquira passou a se chamar Fazenda do Visconde e, depois, Sítio do Pica-pau Amarelo, que até hoje atrai grande número de turistas”. Monteiro Lobto nasceu em Taubaté- SP.

Fui participar do curso Liderar (6 dias – que seria desenvolvido em duas semanas: 3 dias na primeira e 3 dias na segunda. Eu não ia ministrar, participaria como ouvinte, para ser capacitada e, então, mais tarde, atuar como facilitadora. É diferente participar de um programa como ouvinte. Um exercício e tanto ficar só ouvindo, pois tem hora que dá muita vontade de falar. Difícil!

Conheci Marta (facilitadora do programa), na sexta de manhã. Bonita, simpática, simples, foi fácil o entrosamento. Ela é de Franc - SP. Grande pessoa: no tamanho e no coração. 
A pensão onde ficamos era simples, mas confortável e acolhedora no tratamento dado por Da. Iracema - a proprietária. Cuidava da gente como se fosse uma mãe, o que nos fez sentir em casa, acolhidas. Da. Iracema era afetuosa, tinha uma prosa boa. A casa dela era linda. Não era luxuosa, mas pomposa com seus móveis antigos, de gosto apurado. Acredito que ainda é. Nossas refeições aconteciam na mesa da cozinha. Dava vontade de prolongar esses momentos. Ela mesma fazia o requeijão, a pasta de berinjela (delícia demais!). Que saudades! 

A turma  do curso Liderar era composta de pessoas simples e algumas bem interessantes. Muito interessantes. Curiosas. Estranhas.
Tinha a turma “zen”: Soraya (parecia uma bruxinha boa); Medina, Carlinhos e Gracias, que é um pouco zen também.
Soraya trabalha com cursos, massagens, terapias alternativas. Convidou-nos para participar de uma sauna indígena, mas não foi possível ir.

No sábado, segundo dia de treinamento, aconteceu algo que mexeu muito comigo. Como estava muito à toa, perguntei para Marta se podia organizar um trabalho feito pelo grupo: uma mandala, que foi utilizada para fazer o levantamento de expectativas dos participantes. Construída com um círculo no centro de uma folha de flip chart e tarjetas de papel colorido recortadas em forma de triângulo. Cada participante recebia uma tarjeta, registrava sua expectativa nela, lia e afixava em volta do círculo. A ideia seria ao término, ter o formato de uma flor.
Como os participantes colocaram as tarjetas de forma desordenada, aleatória, achei mehor dispor as tarjetas ao redor do círculo, para ficar bonito, certo, como uma flor mesmo. Fiz com carinho e cuidado, achando que o grupo iria gostar, achar legal. 

Pois é, mas não foi assim. Que idiotice, que ignorância! Estava tudo certo, e eu só fiz atrapalhar. Pelo menos uma pessoa não gostou e falou com Marta. Fiquei muito chateada, deu vontade de chorar. Quantas vezes fazemos coisas para as pessoas para atender nossas necessidades, com a “desculpa” de que é para agradar o outro? Percebi que desrespeitei o grupo ao interferir no resultado do trabalho deles.  Como também ficou claro que não estava sendo aceita, até pelo fato de ficar só observando. Eu não fazia parte do grupo e atrevidamente mudei algo que construíram. Era o “retrato” do momento deles, ainda desalinhados, desconhecidos, cada um com suas dúvidas, temores, sem saber exatamente o que podiam esperar de si próprios e de cada um que fazia parte daquele grupo; todos na defensiva, ainda.
Aprendemos com a dor. Naquela ocasião, ainda não tinha todo o conhecimento necessário para compreender a dinâmica de um grupo e os comportamentos, emoções que se tornam latentes a cada fase. Ainda tinha muito o que aprender (e tenho ainda). Foi uma grande lição e a motivação para buscar mais conhecimentos.

Ninguém, ou quase ninguém, gosta de compartilhar seus erros. Pensar que erros são grandes fontes de aprendizados! Aprenderíamos bem mais se essa coragem não faltasse.
Ainda pretendo compartilhar erros cometidos e as lições aprendidas. Quem sabe criar um grupo, um espaço, para esse fim, para os corajosos ensinar e aprender mais. Quem sabe. Farei. Consultores, instrutores, executivos, médicos, dentistas, advogados, como qualquer outro profissional erram sim, cometem enganos, esquecem, confundem. Por falta de conhecimento, excesso de autoconfiança, de comprometimento, razões várias. Não quero dizer que devam sair contando aos quatro cantos, para toda e qualquer pessoa. Mas, no mínimo ter a humildade de reconhecê-los, para que aprendam e não mais o repitam.
Conheço consultores que entram em sala com pouco preparo e comprometimento: conhecem pouco do assunto e não se preocupam com aquelas pessoas que estão ali, pagando, dando o seu tempo para aprender mais. Que falta de profissionalismo! Enfim, fracassos fazem parte de toda trajetória de sucesso. Em San Francisco, no Vale do Silício, ocorre anualmente a feria de fracassos – FailCon. Pequenos empreendedores, grandes empresários e “gurus” da economia norte-americana se reúnem para tratar exclusivamente de grandes insucessos e suas lições. A Failcon foi trazida pro Brasil e está na na 3ª. Edição, em Porto Alegre; o evento acontece em 20 cidades do mundo. De acordo com os organizadores, aqui no Brasil, foi muito difícil, pois muitos não captavam a ideia e se sentiam desconfortáveis e tratar abertamente dos próprios fracassos ainda é um tabu entre empresários, executivos e empreendedores.  Entretanto, a persistência e jogo de cintura, fez com que os criadores da FailCon Brasil promovessem palestras memoráveis e a participação vem aumentando a cada edição. Afinal, errar faz parte da condição humana. (Revista HSM MANAGEMENT, número 108 – ERREI NÃO ESPALHA, pg. 86)

Acho que toquei nesse assunto, porque cometi uma falha com esse grupo.

No final da tarde, um dos participantes se aproximou e perguntou o que eu estava fazendo ali. Me dei conta que a comunicação sobre o meu papel naquele grupo, não foi clara e por isto as pessoas estavam incomodadas. Quem eu era? O que fazia ali, sentada em um canto, escrevendo, escrevendo, sem nada falar?  Estavam sendo avaliados? Quanta coisa deve ter passado pela cabeça deles.... No domingo de manhã pedi um tempo e esclareci a razão da minha presença. Parece que todos ficamos aliviados e percebi uma maior aceitação do grupo. As pessoas não gostam de ser observadas, temendo serem avaliadas, julgadas. Quem gosta?

O resto do dia foi mais tranquilo, comecei a participar um pouco, dando opiniões, tomando o cuidado de não me expor muito e nem tão pouco invadir o espaço de Marta. Voltamos para SP com Eduardo, um dos participantes que é muito legal e a prosa durante a viagem foi uma delícia.

Bom, a segunda etapa fica para o nosso próximo encontro.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Tatuí - SP


Estive “fora”, por um bom tempo. Vontade de escrever, aqui, no meu espaço, não faltou. Mas, estava escrevendo outras histórias... O que faltou mesmo, foi tempo. Vida de consultora, instrutora é isso: às vezes não temos agenda para todos os clientes, outras faltam clientes.

Para escrever é preciso estar com mente e coração serenos. Silêncio, calma, tempo, é o que preciso para encontrar as palavras que possam contar minhas histórias, resgatá-las com toda a carga emocional que junto vem: alegrias, frustrações, emoções variadas.

Escrever, por mais simples que seja a narrativa (verdadeira ou fantasiosa), é um momento especial, de encontro e reencontros. É uma terapia.

Portanto, retomo hoje, minha trajetória dos caminhos trilhados, minhas andanças, com muita alegria. 



Módulo: Quem é e como atua o líder de vanguarda

"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende".

Schopenhauer, Arthur



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Fui para Tatuí com Valério. É sempre muito bom viajar com o marido. Quem dera sempre pudesse ser assim. Fomos na 6ª. Feira e a viagem foi tranquila. Tatuí tem mais de 100.000 habitantes e é uma cidade agradável, com praças bonitas.
É reconhecida como "Capital da Música" por lei estadual. O Conservatório Dramático e Musical Doutor Carlos de Campos, o Conservatório de Tatuí, é a maior escola de música da América Latina e a mais tradicional do Brasil, mantido pela Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Saímos um pouco a noite, para conhecer um pouco da cidade foi um passeio muito gostoso. O jantar foi mais gostoso ainda.

O treinamento foi ótimo e, claro, muitos participantes envolvidos com música: já formado ou estudando. A turma toda com um astral excelente, alegres, envolvidos. É, música faz bem mesmo para a alma.

A dinâmica da escola de samba foi excelente. Os participantes buscaram instrumentos e fantasias. Foi um espetáculo.

Voltamos para SP no mesmo dia após o treinamento.